Hoje
A sessão da Comissão Representativa da Câmara, hoje pela manhã, foi pródiga e digna de fazer parte de tese ou dissertação sobre como não deve ser o comportamento dos representantes do povo.
Se há, no Executivo, os alvos preferidos dos vereadores de oposição, também entre os 21 eleitos, a mira é certeira nos colegas da situação e vice-versa.
Na situação, os escolhidos pela oposição, pela ordem, são o vereador Ivan Duarte (PT) e a vereadora Fernanda Miranda (PSoL). Logo abaixo, o vereador Jurandir Silva (PSoL) e, em menor escala, a vereadora Míriam Marroni (PT), cobrada por ser a esposa do prefeito Fernando Marroni (PT).
Hoje, mais um exemplo, nas mesmas proporções do ocorrido com o vereador Ivan Duarte (PT), que foi durante criticado, em questões oessoais e familiares, pelo vereador César Brisolara (PSB).
Fruto das sessões ordinárias da semana passada, projetos encaminhados pelo Executivo e de autoria dos vereadores, não foram votados. Entre eles, uma possível concessão de adicional de risco de vida aos conselheiros tutelares.
Encaminhamento
O vereador César Brisolara (PSB), em Questão de Ordem, sugeriu ao presidente Michel Promove (PP), a realização de uma Sessão Extraordinária ainda hoje, para as votações.
Ao posicionar-se, Promove afirmou ser possível, desde que houvesse o acordo dos vereadores e bancadas. A palavra “acordo” não sabia o que provocaria nos momentos posteriores.
Perguntados pelo presidente, vereadores indicavam concordância. A vereadora Fernanda Miranda (PSoL) pediu um prazo para analisar a situação e, talvez, pelo envio de mensagens via celular, conversar com o partidário Jurandir Silva (PSoL).
Contando com a aprovação da proposta, Brisolara deixou sua cadeira, talvez dirigindo-se à sala anexa ao plenário. Quando estava atrás da cadeira do presidente, ouviu a resposta de Miranda. Ouviu e não gostou e, com imediata meia-volta, voltou ao seu lugar.
A vereadora disse que o PSoL não daria acordo para a votação dos projetos, concordando somente com o que envolveria os conselheiros tutelares.
Vocabulário
César Brisolara não gostou de ser desafiado e/ou provocado, não tendo sua proposta aceita. Disse que, diante da situação, retirava sua pretensão e que todos os projetos seriam, então votados em agosto, após o recesso.
Aí quem ouviu e não gostou foi Fernanda Miranda. Chamou César Brisolara de “maligno” ao propor as votações de todos os projetos. “É isso o que o senhor quer. O senhor tem que respeitar”, afirmou após fala do colega sobre ela ser professora e que também poderia identificá-la com o mesmo adjetivo.
Foi o que bastou. César Brisolara engatou uma quinta marcha e encordoou manifestação forte.
“Não tem acordo. Foi a senhora que quis fazer acordo quando estava com maconha. A senhora é o tipo de gente que eu não quero acordo”, disse, também pedindo que o presidente Michel Promove determinasse a retirada da ofensa por ele recebida. Não foi atendido.

Também lembrou que nos últimos 100 anos da Câmara ela foi a única pega com maconha, tendo o seu mandato suspenso.
Vereador Cauê Fuhro Souto pediu uma Questão de Ordem. Promove, ao conceder, afirmou que César e Fernanda partiram para o “embate pessoal” em suas Questões de Ordem e que se Cauê fosse pelo mesmo caminho, não seria atendido. Falou sobre seu pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a situação do Canil Municipal.
Alcunha
Fernanda Miranda voltou a comentar o uso da expressão “maligno” contra o vereador César Brisolara.
Falou sobre o fato de o vereador Marcos Ferreira (União Brasil), por muitas vezes, chamar o vereador Cauê Fuhro Souto de “Chupetinha”. Ferreira sorriu e Cauê, atrás da cadeira de Marcola, disse que não se importava.

Continuou ela: “Eu não sou idiota e burra como vocês pensam e dão a entender. Acordos são feitos entre gabinetes, o que eu não faço e nunca vou fazer”. E iniciou sua retirada do plenário.
Brisolara não parou. “Não reconheço quem se diz professora e faz apologia à maconha”, afirmou, citando vários nomes de professores suas quando criança.
Arrematou dizendo ser ela política e não professora. “São políticos travestidos de professores”.
Vereador Cauê Fuhro Souto entrou na conversa e viu, no canto direito da bancada da imprensa, encostado na parede, abaixo de uma televisão, um assessor de Fernanda Miranda gravando a fala com um celular.
“O assessor tá gravando ali. Dá um pouquinho mais de Zoom para eu ficar mais bonito”, pediu para um constrangido e com pouco sorrido assessor. Cauê foi com ele conversar após.

Arrematou sua fala sugerindo ao presidente Michel Promove que editasse uma Resolução, “liberando a Canabis para quem anda nervoso”.
O presidente nada falou sobre a proposta. Durante as trocas de ofensas verbais entre César Brisolara e Fernanda Miranda, ele permaneceu com expressão facial impassível. Quase nem piscava.

Anunciou, antes da primeira fala de Souto, que estava convocando uma Sessão Extraordinária para sexta-feira, dia 24, às 10h32min. Por quê esse horário? Para respeitar o que determina o Regimento Interno, prazo de 72h, para a sessão ser realizada após a convocação.

